Resenha Exposição - Xingu: Contatos

 

    Um prédio localizado no fim de uma avenida movimentada chamada Paulista, cheia de oportunidades para visitação, que para os indivíduos com falta de curiosidade e vontade de andar pode ser o próprio inferno encarnado, está o Instituto Moreira Salles (IMS). Diferentemente do meio onde se situa, o edifício é um espaço organizado e ao entrar é possível sentir o caos do mormaço de pensamentos indo embora e observar a quietude. Durante a subida pela escada rolante é possível ver uma biblioteca se transformando em um andar que apresenta uma área para tomar um bom café e ler alguns livros dispostos em prateleiras não muito grandes, o espaço também foi feito para armazenar as mochilas e pertences dos visitantes, armários de uma clara madeira são abertos por funcionários e ocupados pelos objetos, uma espécie de placa redonda com o número do armário é entregue para o usuário fazendo que a retirada seja possível. O acesso para qualquer lugar do prédio pode ser feito de maneira simples, as opções sendo de elevador ou a querida e famosa escada, a segunda escolha revelando uma linda vista da avenida.

    A Exposição Xingu:Contatos está instalada no sétimo e oitavo andar do prédio. A proposta é uma revisão de imagens e filmes feitos por não indígenas do século dezenove, estabelecendo diálogos entre o trabalho atual de cineastas, artistas e comunicadores de povos do Xingu. Somos recepcionados com uma televisão, onde um vídeo introdutório sobre os motivos do porquê do tema da exposição e sobre o trabalho que começou a ser realizado em 2002 por Guilherme Freitas e Takumã Kuikuro, com ajuda da Marina Frúgoli. A sala em questão é toda composta de lâmpadas alaranjadas, que dão uma bela ambientação fazendo conjunto com as paredes de mesma cor e bancos de madeira proporcionando a incrível oportunidade de se sentar para assistir gravações sobre a cultura. As filmagens são notabilizadas em uma tela em sobreposição a detalhes, os delineies se fazem de uma cortina trançada com vime, as bordas continham um tipo de remendo para o acabamento, como se fosse a barra de uma calça firme e bem costurada. Há várias projeções pelo espaço mostrando filmagens diferentes, essas sendo bem claras em relação ao modo de vida, condições, alimentação, fé e rituais. Também é mostrada uma linha do tempo muito interessante contando para nós observadores a maneira certa de organizar cronologicamente os acontecimentos em nossa cabeça.

      A exposição tem lideranças indígenas, por meio da identificação de indivíduos, locais e situações retratadas. Buscando, assim, colocar o acervo a serviço da reflexão crítica sobre a representação dos povos originários na história do país e do desenvolvimento de novas formas de auto representação indígena.

    O percurso é composto por narrativas orais e várias maneiras acessíveis para pessoas com necessidades especiais, como imagens esculpidas. Fiquei realmente impressionada com o alcance que a exposição pode chegar, por ser gratuita já ajuda muito a espalhar o convite para a ida ao estabelecimento, mas não estou falando somente sobre esse achegamento, expresso minha surpresa em relação às pessoas com necessidades especiais de visão, audição e até mesmo de locomoção, sei que esse tipo de atitude deveria ser o mínimo cobrado e esperado, porém é razoável sabermos que não é bem assim o funcionamento na maior parte das manifestações culturais.


Resenha por: Luana Andrade

   

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